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Ensino remoto e as contradições no trabalho docente

Atualizado: 24 de mai.

Resumo do artigo produzido por Keite Silva de Melo e Adriana da Silva Lisboa Tomaz, publicado na revista Artes de educar em 2020.


Várias pesquisas vêm apresentando os diversos impactos que a educação vivenciou durante o período pandêmico. Por conta destes impactos, foram formuladas e implementadas políticas educacionais de cunho emergencial.


Visando compreender as contradições que atravessaram a atividade de ensino por meio do trabalho docente (DAVÍDOV, 1988) durante a adoção do ensino remoto, desenvolvemos uma pesquisa exploratória com docentes do primeiro segmento da educação básica da rede pública e privada do Rio de Janeiro. Foram realizadas entrevistas com cinco professores(as) procurando entender por meio da Teoria da Atividade (LEONTIEV, 2004) como vivenciaram a sua atividade de ensino durante o desenvolvimento desta política pública emergencial.


Estudos da área da administração pública apontam que a falta de coordenação e orientação produz alto nível de discricionariedade na agência dos atores públicos. O mesmo ocorre no campo da educação, fazendo com que diferentes redes e escolas ofereçam diferentes abordagens e qualidade de ensino para os estudantes. Tal heterogeneidade justifica a necessidade da observação quanto à implementação de uma política educacional complexa: que envolve diversos atores, interesses, poder, recursos, disputas, (des)conhecimentos, variados modos de interação entre os atores etc. (LOTTA, 2018, p. 146). É neste contexto que buscamos verificar quais são as contradições que atravessaram a atividade de ensino durante o desenvolvimento desta política.


Por meio da análise das entrevistas, a pesquisa desvelou as contradições que alienam o trabalho destes professores. Os resultados demonstraram que a atuação discricionária dos docentes é influenciada por sua margem de autonomia. E aqueles que conseguiram minimizar os efeitos da alienação no seu trabalho encontraram nos alunos a motivação para seu fazer docente. Cada professor foi utilizando o que tinha de ferramenta e o que conseguia dominar, o que era possível de realizar para atingir seus alunos.


"Para não prejudicar a turma, eu tenho que trabalhar no WhatsApp também, porque eles não conseguem, não entendem, muitos não entendem, por mais que explique como funciona, como faz, passo a passo, não conseguem entrar, não conseguem fazer”. (Professora 1).

Para além das contradições no trabalho docente, também foi explicitado a desigualdade de oportunidades para os alunos.


“A minha preocupação é: será que vai valer a pena esse ensino a distância para crianças pequenas, que, no caso, são as crianças que eu trabalho, de 5 a 6 anos? Será que esse ano…? É um ano que praticamente perdido para a Educação. [...] Ainda tem esse desafio, de muitos não terem internet, muitos não têm computador, não ter celular, muitos não estão ainda na era das tecnologias.” (Professora 3)

Para saber mais, acesse o artigo completo:

https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/riae/article/view/52400/35478


Referências:

DAVÍDOV, V. La enseñanza escolar y el desarrollo psiquico: investigación psicológica teórica y experimental. Moscú: Progreso, 1988.

LEONTIEV, A. O desenvolvimento do psiquismo. 2. ed. São Paulo: Centauro, 2004.

LOTTA, G. S. Burocracia, redes sociais e interação: uma análise da implementação de políticas públicas. Revista de Sociologia e Política, v. 26, n. 66, 2018.


Postagem de Adriana da Silva Lisboa Tomaz

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